quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sextas de Janeiro com Diego Cabral e Amigos no Repertório Bar

O Repertório Bar recebe pela primeira vez o cantor e compositor Diego Cabral, para uma temporada no mês de janeiro com um projeto que reúne o forró e o frevo em três noites e conta com as participações de grandes nomes do carnaval. 

O Projeto intitulado “Sextas de Janeiro com Diego Cabral e Amigos” tem inicio no dia 10 de janeiro sempre a partir das 21h30 e recebe no palco os convidados Almir Rouche, Marrom Brasileiro e André Rio. A abertura fica com Léo Balada. 

Programação:

10/ 01 – Diego Cabral recebe Almir Rouche

17/01 - Diego Cabral recebe Marrom Brasileiro

24/01 - Diego Cabral recebe André Rio



Serviço:

Sextas de Janeiro com Diego Cabral e Amigos

Onde: Repertório Bar – Rua Real da Torre, 849 - Torre

Quando: Sextas-feiras, 10, 17, 24 de Janeiro de 2014

Hora: 21h30

Valor: R$20,00
# Aniversariante Free e convidados do aniversariante pagam meia até 23h.

PROMOÇÃO: Clone de Caipirosca, Tequila e Martini até às 23h30.
Informações: (81) 8787.9702 / 8536.3850 / 8842.2926 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Bajado: Um artista de Olinda

Euclides Francisco Amâncio, artista plástico, chargista, letreirista, cartazista, pintor de quadros e murais, conhecido mundialmente como Bajado, nasceu no dia 9 de dezembro de 1912, no município de Maraial, no Estado de Pernambuco.

O apelido Bajado surgiu na infância por causa de uma brincadeira, durante um jogo de bicho, seu passatempo preferido.

Bajado mudou-se para Catende, outro município pernambucano, ainda adolescente, indo trabalhar como ajudante e pintor de cartazes de filmes de faroeste, onde ficou até 1930.

Quatro anos depois, foi morar no Recife, onde arranjou um emprego como letreirista de cartazes e operador de máquina do Cine Olinda, função que exerceu até 1950.

Nas horas vagas pintava letreiros, fachadas e interiores de lojas comerciais, restaurantes e botequins, ornamentando-os com figuras ou compondo painéis e quadros.

O artista prestou uma grande homenagem ao bloco carnavalesco Donzelinhos dos Milagres que estava encerrando, para sempre, os seus festejos de carnaval, pintando na parede de sua sede os versos: "O mar que levou a praia, levou também Donzelinhos."

O gosto pela arte se manifestou quando Bajado retratou os clubes carnavalescos de Olinda, Pernambuco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante, O Homem da Meia-Noite, Cariri, Vassourinhas, assim como o frevo rasgado na Ribeira, Largo do Amparo, Varadouro, Praça do Carmo.

Em 1964, junto com alguns amigos de profissão, inaugurou o Movimento de Arte da Ribeira, em Olinda, onde passou a expor seus trabalhos.

Dentre uma mistura de cores e tintas, Bajado foi capaz de reproduzir inúmeras telas sobre a vida cotidiana, o sofrimento, as emoções e a cultura do povo pernambucano.

O artista possuía um temperamento calmo e brincalhão. Fluiu na arte, com a simplicidade de um homem humilde. Era considerado um artista primitivo, inserido no estilo da arte contemporânea. Sua tendência artística era a liberdade de estética, comum na arte moderna, e suas obras retratavam tanto os folguedos carnavalescos, como também reverenciavam políticos e personalidades ilustres da sociedade pernambucana: Agamenon Magalhães, o presidente Jânio Quadros, o general Teixeira Lott, entre outros.

Na década de 1970, um turista italiano, Giuseppe Baccaro, ao ver as suas pinturas e quadros a óleo expostos nas residências e estabelecimentos comerciais de Olinda, ficou impressionado diante do primitivismo artístico do pintor que assinava da seguinte maneira as suas obras: "Bajado um artista de Olinda". Contactando-o, lançou-se como divulgador e administrador dos seus trabalhos.
Em decorrência disso, alguns meses depois, começaram a aparecer as suas primeiras exposições e mostras no Recife, na Casa da Cultura, na Fundação Joaquim Nabuco, na Caixa Econômica Federal, no Lions Club, no Cabanga Iate Clube.

Novas oportunidades continuaram a surgir, desta vez para o artista expor em outras capitais brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. Do exterior, Bajado recebeu vários convites para ir apresentar as suas obras. Neste sentido, iniciou pela França uma maratona artística, passando pela Itália, Espanha, Holanda e Tchecoslováquia, atual República Tcheca.

Em 1994, no limiar dos 80 anos, Bajado foi homenageado com uma mostra internacional na sede da Unesco, em Paris, com a participação de diversos artistas internacionais.

Contido, apesar da sua fama e do seu talento artístico, ele sempre viveu humildemente. Tinha como o maior prazer da vida a expressão da sua arte primitiva, a alegria do seu povo.


Bajado passou seus últimos dias assistindo filmes antigos na televisão e recordando as peripécias da sua mocidade. O artista plástico, faleceu em 1996, aos 84 anos de idade, em sua residência localizada na Rua do Amparo, nº 186, Olinda, imóvel este que lhe foi doado por Baccaro, o seu marchand italiano.

Regina Coeli Vieira Machado
Servidora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br





Maracatu Atômico ganha versão em inglês pelo pernambucano David Correy

Cantor naturalizado norte-americano está na cidade para receber nesta segunda-feira, do Diário, o Prêmio Orgulho de Pernambuco

Por: Ed Wanderley - Diário de Pernambuco

A musicalidade brasileira é um dos ingredientes nacionais que mais chamam a atenção no exterior. Talvez por isso, a volta às origens do cantor norte-americano David Correy, nascido em Pernambuco, exceda o campo do pessoal e afete diretamente o seu trabalho. No Recife para receber o Prêmio Orgulho de Pernambuco na noite desta segunda-feira (9), no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, o cantor, revelado no programa de aspirantes a estrelas da música dos Estados Unidos The X-Factor, apresentou um pouco do direcionamento que tomará sua carreira a partir de 2014, com a música Atomic Maracatu, uma versão quase literal da canção composta por Nelson Jacobina e Jorge Mautner e imortalizada pelo movimento Mangue Beat de Chico Science e Nação Zumbi, na segunda metade da década de 1990.

Atualmente em turnê mundial para apresentar o hino oficial da Coca-cola para a Copa do Mundo - a The World is Ours, cuja versão brasileira Todo Mundo tem ainda Gaby 

Amarantos e Monobloco -, Correy diz que os planos de explorar comercialmente suas músicas vêm sendo conciliados, mas serão ampliados após o mundial, em especial com a exposição que vem recebendo. Sobre a influência que sua origem pernambucana vem exercendo em seu processo criativo, garante que vem fazendo o dever de casa. 

"Conheci o som regional e me identifiquei. A música foi gravada há dois meses e ainda não a lançamos. Estamos experimentando", garante o artista, que na última visita ao Recife, garantiu que estudaria a música local e faria canções inspiradas na cidade. Talvez por isso, a animação ao acompanhar os ensaios de um dos grupos de maracatu - o tradicional, não o atômico - nas ladeiras de Olinda, na tarde de domingo (8), quando visitou o Alto da Sé.

No dia anterior ao embarque para o Recife, David se apresentou no The Voice México, depois de passar por El Salvador, Honduras e vários outros países da América Latina. “Foi uma experiência incrível. Eles (o programa) arrebenta muito por lá e a audiência é gigante”, afirma. Aliás, sobre o The Voice, cuja versão nacional vem mobilizando audiência televisiva e as discussões no mundo virtual das redes sociais, o cantor disse não saber como seria sua vida se tivesse participado do programa da NBC - líder absoluto de audiência -. “As coisas são como têm que ser e como estão escritas. Deus sabe o que faz e houve um propósito maior quando participei do The X-Factor”, finaliza. Sobre qual dos mentores - Adam Levine, Christina Aguilera, Cee-lo Green ou Blake Shelton - escolheria, claro, não comenta.



Saiba mais

Atomic Maracatu
Have you ever watched a hummingbird kiss a flower 
And how all of mother nature cries of love 
And he who holds the key has it all, has it all 
So here comes the power of the atomic maracatu

Anamauê, ô. Anamauê, ô

Out behind the skyscraper is a dome, is a dome 
And then out there is another starless sky 
And on top of the umbrella, oh the rain must have rain 
Droplets that look so lovely that all you think of is to 
drink it 

Along the fields of spring is a flower, is a flower 
More alive than any flower you could know 
And inside the glove compartment there's the glove, there's a glove 
That someone as sharp as sharks or saints forgot they ever put it there 

We only feel the bottom of the sun and its rays
As they fall through the dark clouds of space 
And every frame is black it's all black all black 
I write your name, you know I love you, then it fades, it's all the same

Maracatu Atômico foi lançada em 1974, no álbum Jorge Mautner, e regravada no mesmo ano por Gilberto Gil para o álbum Cidade do Salvador.

Atomic Maracatu não tem apenas uma tradução literal do título, mas pouquíssimas mudanças na letra original. O resultado, no entanto, se aproxima mais do som polido de Gil que da ousadia dinâmica de Chico e Nação.

Foi com o clipe de Chico Science & Nação Zumbi, segundo vídeo do álbum Afrociberdelia, que a MTV Brasil encerrou sua transmissão na TV aberta, em 30 de setembro deste ano.




CD: Orquestra de Frevo Vassourinhas de Olinda

Nesta rara coletânea temos 24 frevos-de-rua, todos de grande sucesso nos carnavais do Recife e Olinda.

A Orquestra do Clube Carnavalesco Vassourinhas de Olinda gravou este CD por ocasião de excursão na Holanda no ano de 1996.

Vendas pelo site: http://www.onordeste.com/shoppingnordeste/orquestra-de-frevo-vassourinhas-de-olinda.html


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Anunciados os vencedores do I Festival do Frevo da Humanidade

Nomes dos artistas premiados foram divulgados neste sábado (26). (Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)


Durante a segunda noite da finalíssima do I Festival do Frevo da Humanidade, neste sábado (26), foram revelados os nomes dos 15 compositores vencedores da competição. Promovido pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura, o concurso entregou R$ 128 mil em prêmios aos cinco vencedores de cada categoria – Frevo Canção, de Bloco e de Rua –, além do Melhor Arranjo e Melhor Intérprete. O resultado foi anunciado no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

Em primeiro lugar ficaram o frevo canção de Bráulio e Fátima de Castro, Lá Vem a Ceroula (Homenagem à Cabela), o frevo de bloco de Amaro Samba – 5, intitulado de Bloco das Flores, Uma Declaração de Amor, e o frevo de rua de Beto Hortis, que se chama Que Saudades Seu Domingos, em homenagem ao músico Dominguinhos.

Antes de conhecer a relação dos compositores vencedores, quem foi ao Dona Lindu teve a oportunidade de conhecer frevos inéditos feitos por Roberto Cruz, Bráulio e Fátima de Castro, Dudu do Acordeon, J. Michiles, João Araújo, Ivanar Nunes, Ricardo Andrade, César Michiles, Adriano do Accordeon, Waltinho D’Souza e Beto Hortis.

Enquanto o grupo SaGRAMA se apresentava no local, com um repertório voltado para o carnaval pernambucano, a comissão julgadora selecionava os vencedores. O grupo foi formado pelo maestro Zoca Madureira, o radialista Hugo Martins, a escritora Luzilá Gonçalves, o professor de Música da UFPE Sérgio Godoy e o músico Marcus Vinicius.

Para o encerramento do concurso todos os artistas envolvidos com o I Festival do Frevo da Humanidade foram convocados para o anúncio dos ganhadores. Henrique Albino levou o prêmio de Melhor Arranjo, com o frevo Atravessando a Rua, enquanto que o Melhor Intérprete ficou para Dalva Torres, que cantou o frevo Carta Para Romero Amorim, de João Araújo.

Confira abaixo a relação completa dos vencedores do I Festival do Frevo da Humanidade:

Categoria Frevo Canção
1º lugar: Bráulio e Fátima de Castro, com Lá Vem a Ceroula (Homenagem à Cabela)
2º lugar: Dudu do Acordeon, com Baile Celestial
3º lugar: Getulio Cavalcanti, com Enquanto o Frevo Não Passa
4º lugar: Roberto Cruz, com Folia no Céu
5º lugar: J. Michiles, com Quebrando a Soleira

Categoria Frevo de Bloco
1º lugar: Amaro Samba – 5, com Bloco da Saudade, Uma Declaração de Amor
2º lugar: Ricardo Andrade, com Perfume da Poesia
3º lugar: Getulio Cavalcanti, com A Luz da Purpurina
4º lugar: J. Michiles, com Pastoril
5º lugar: Samuel Valente, com Regresso de Sonho e Fantasia

Categoria Frevo de Rua
1º lugar: Beto Hortis, com Que Saudade Seu Domingos (Homenagem a Dominguinhos)
2º lugar: César Michiles, com Esse é o Tom
3º lugar: Henrique Albino, com Atravessando a Rua
4º lugar: Adriano do Accordion, com Pinzon no Frevo
5º lugar: Bruno Santos, com Vamos Ver

Melhor Arranjo – R$ 4 mil
Henrique Albino, com Atravessando a Rua, composição própria

Melhor Intérprete – R$ 4 mil
Dalva Torres, com Carta Para Romero Amorim, de João Araújo
FONTE: PREFEITURA DO RECIFE

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Maracatu Nação Maracambuco recebe prêmio OMC 2013

O Ministério da Cultura anunciou na última segunda-feira (21), o nome do “Maracatu Nação Maracambuco” como um dos premiados com a “Ordem de Mérito Cultural 2013”. Este ano concorreram aos prêmios 257 inscritos, mas apenas 37 foram contemplados. O Maracatu Nação Maracambuco agora prepara as malas para seguir para São Paulo, local de entrega da premiação da OMC 2013. A premiação acontece no próximo dia 5 de novembro, Dia Nacional Da Cultura, no Ibirapuera. A Ordem do Mérito Cultural foi instituída pelo art. 34 da Lei n.º 8.313, de 23 de dezembro de 1991, e regulamentada pelo Decreto n.º 1.711, de 22 de novembro de 1995. Neste ano os homenageados da OMC serão a artista Tomie Ohtake e o arquiteto Oscar Niemeyer.
1209265_366454823485972_1518808019_nMaracatu Nação Maracambuco (Foto: Renata Vasco)

sábado, 19 de outubro de 2013

Hugo Martins: um apaixonado pelo Frevo

Uma legenda do rádio pernambucano, pesquisador, estudioso de todos os gêneros musicais
Hugo Martins radialista, sonoplasta, compositor, cineasta, nasceu na cidaDe de Rio Tinto, na Paraíba, e veio para o Recife com 11 anos de idade. Em 1956 começou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco, como operador de som. Trabalhou depois na TV Jornal, TV Globo até chegar na TV Universitária. Desde os anos de 1970 Hugo trabalha na Rádio Educativa FM , pertencentes à Universidade Federal de Pernambuco, onde produz e apresenta, há 42 anos, o programa “O Tema é Frevo”, exclusivamente divulgando o ritmo mais popular do Carnaval.

Hugo também é um colecionador de mais de mil discos, entre frevos, bandas de musica e trilhas sonoras do cinema, outras duas de suas paixões pela musica.

Hugo Martins também prestou grande contribuição ao espetáculo da Paixão de Cristo, de Nova Jerusalém, onde faz a sonoplastia desde 1970.

Galo da Madrugada exalta Ariano Suassuna no desfile de 2014

Foto: Anderson Maia

‘Frevo no Auto do Reino de Ariano’ é o tema do 37º desfile do Galo da Madrugada para o carnaval 2014. O tema faz referência ao Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, as duas obras mais famosas de Ariano Suassuna, romancista e dramaturgo que será homenageado pelo maior bloco de carnaval do mundo. Em 2014, o desfile une um símbolo de grande expressão da cultura literária nordestina à cultura folclórica do carnaval. O cenógrafo do Galo da Madrugada, Ary Nóbrega, assina os croquis dos principais carros alegóricos do desfile. 

De acordo com Rômulo Meneses, presidente do Galo da Madrugada, para a agremiação é uma honra poder homenagear um símbolo cultural que traduz quem é o povo nordestino. “Assim como Ariano, o Galo da Madrugada também defende e dissemina a cultura local pelo mundo e nada melhor que unir estes dois símbolos, garantindo um desfile inesquecível para os turistas e pernambucanos” afirmou Rômulo. Ariano também será inspiração para CD de Frevo-Canção do Galo 2014. São 20 canções de artistas pernambucanos convidados, entre eles, Dudu do Acordeon, Fernando Azevedo, Benil, Adriana BB, Ed Carlos e o Quinteto Violado.

ARIANO_ Autor, escritor, dramaturgo, poeta e romancista, Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em João Pessoa, e cresceu no Sertão paraibano. Aos 18 anos, veio com a família para o Recife onde desenvolveu peças e histórias que retratavam o povo nordestino, como Auto da Compadecida. A história que relata vida de dois nordestinos, escrita em três atos e que ganhou versão para os cinemas. Ariano foi um dos fundadores do Movimento Armorial, voltado para a criação de uma arte com elementos culturais como música, dança, literatura, teatro, artes plásticas e cinema. O escritor ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras e, atualmente, é Secretário Especial da Assessoria do Governo de Pernambuco.

Escola Gigante do Samba do Recife recebe 70 novos instrumentos para o Carnaval de 2014

A Escola de Samba Gigante do Samba, hexa campeã do carnaval do Recife, recebeu, ontem, setenta novos instrumentos para sua bateria, informou seu presidente Rivaldo Lacerda. Os instrumentos foram confeccionados por Mestre Riquinho da Mocidade Independente do Rio de Janeiro.

"Estávamos há 38 anos com os mesmos instrumentos, sempre reformando e consertando, e esta era a maior reivindicação dos integrantes da nossa bateria," explica Lacerda. Gigante do Samba, fundada em 1942, instalada no bairro da Bomba do Hemetério, na zona Norte do Recife.

A escola verde e branco - além dos seus músicos tradicionais - tem uma nova bateria mirim composta por 38 adolescentes formados numa parceria com o Núcleo de História da Universidade Federal de Pernambuco.

TEMA E SAMBA ENREDO

Após ganhar seu sexto título seguido, recebendo nota 10 em todos os quesitos, a Gigante se prepara para o Carnaval de 2014 e já escolheu o tema: "Sinfonia dos Anjos na Avenida dos Cristais". O objetivo do tema é contar a história dos cristais desde a Índia e a lenda do Egito sobre a sinfonia dos anjos.

Na próxima segunda-feira encerra-se o prazo para inscrição para o samba-enredo e a diretoria de Gigante - composta por 27 homens e sete mulheres - vai anunciar o calendário de apresentação e julgamento das músicas.


Clube das Pás apresenta tema para o carnaval de 2014

O mais antigo clube de frevo em atividade de Pernambuco - o Clube das Pás Douradas - já definiu seu tema para o carnaval de 2014 "Era uma vez mais outra vez - Carnaval". O clube terá 200 desfilantes e desde maio passado as fantasias estão sendo confeccionadas sob o comando de Preta, Elaine Monte Nogueira, diretora e benemérita do clube.

"Vamos mostrar a ilusão do carnaval e o contraste com a vida dura depois da quarta-feira de cinzas quando bate a realidade da sobrevivência," explica Preta, que comanda uma equipe de seis costureiras e define a temática das fantasias e bordados. Cerca de 150 desfilantes já estão previamente cadastrados e uma parte prepara suas fantasias em casa após tomarem conhecimento do tema do ano.

O Clube das Pás também é famoso do Recife por oferecer semanalmente shows para dança de salão. A agremiação do bairro de Campo Grande, no Recife, ficou em terceiro lugar no ano passado numa diferença de apenas dois pontos para o vitorioso. Maior vencedor de toda história do carnaval de Recife, o Clube das Pás tem 45 títulos de campeão no desfile de clubes de frevo. Seu último título foi conquistado no carnaval de 2011. Seus principais rivais são Bola de Ouro, Lenhadores e Pavão Misterioso.

Clube das Pás.

No primeiro dia de carnaval de 1887, no Porto do Recife, situado no bairro do Recife, estava fundeado um navio inglês aguardando o carregamento de carvão e alimentos. Havia escassez de mão-de-obra, e estava difícil se encontrar carvoeiros que abastecessem a embarcação. Esta, por sua vez, podia ficar apenas doze horas atracada no porto. Sem alternativa, a agência do navio ofereceu uma quantia maior de dinheiro àqueles carvoeiros que aceitassem trabalhar. E, somente assim, o navio pôde ser carregado e zarpar dentro do horário previsto.

Bastante felizes com o montante recebido, os carvoeiros foram comemorar no Clube dos Caiadores. Lá, entre uma dança e outra, decidiram criar o Bloco das Pás de Carvão. O Bloco das Pás de Carvão desfilou nos carnavais de 1888, 1889 e 1890. Em março do último ano, porém, mudou o seu nome para Clube Carnavalesco Misto das Pás.

Festival do Frevo anuncia seus finalistas

O I Festival do Frevo da Humanidade, promovido pela Prefeitura do Recife, anunciou os oito finalistas em cada uma de suas três categorias: frevo de rua, de bloco e canção.

Nomes conhecidos do Carnaval pernambucano aparecem na lista das 24 músicas selecionadas, entre eles J. Michiles, César Michiles, Getúlio Cavalcanti, Beto Hortis, Dudu do Acordeon e Bráulio de Castro.

No total, foram inscritas 376 músicas, sendo 190 frevos-canção, 115 frevos de bloco e 64 frevos de rua, que foram julgados durante quatro tardes, na semana passada, pela comissão formada pelo músico e produtor Zé da Flauta, o cantor e rabequeiro Maciel Salu, o produtor Fábio Cabral de Melo, o jornalista Marcelo Pereira e o maestro, pianista e arranjador José Gomes, que presidiu o júri.

A Prefeitura do Recife vai distribuir um total de R$ 128 mil em prêmios, que variam de R$ 12 mil a R$ 4 mil, incluindo ainda o melhor arranjo e intérprete.

Maestro Forró transforma Santa Isabel em grande ladeira de Olinda em gravação de DVD com muito frevo

Músico gravou o DVD #CabeçaNomundo com a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério na noite deste sábado e lotou o teatro
Se fosse para reunir em seu nome artístico todos os ritmos que Francisco Amâncio fez ecoar no Teatro de Santa Isabel na noite deste sábado (21), na gravação do DVD #CabeçaNomundo, com sua Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Maestro Forró deveria acrescentar frevo, ciranda, chorinho e samba, entre muitos outros. O show de cerca de duas horas deixou todos os presentes na plateia atentos e envolvidos durante a apresentação da orquestra e de seu "one man show", Forró.

Minutos antes do horário previsto do início do show, 19h30, muitas pessoas ainda faziam fila do lado de fora para tentar um ingresso na bilheteria. Mas a falta de orientação e controle fez com que a abetura das portas do teatro resultasse em uma confusão entre os que estavam à espera. O bancário Thiago Galvão estava desde as 18h15 com sua esposa e seu sogro e ainda não havia conseguido ingresso. "Está muito desorganizado, tinha umas 200 pessoas na fila quando chegamos e disseram que os ingressos haviam acabado, mas cabe cerca de 400 pessoas no teatro", disse.

Às 20h, os músicos da orquestra iniciaram a apresentação. Excêntrico como de costume, o maestro chegou deitado em uma rede, tocando trompete e sendo arrastado até o palco. Entre releituras de Reginaldo Rossi (com a música Tô doidão), Mundo Livre S/A (Meu esquema contaria com a participação de Fred Zero Quatro, mas o músico teve que se ausentar por problemas de saúde) e Nelson Ferreira, entre outros, Forró tocou, cantou, dançou e conversou - e muito - com o público durante a gravação do DVD. Participaram do show o bandolinista Marcos César e o músico Lirinha, sob fotes aplausos.

O maestro comentou sobre a necessidade dos clubes de futebol pernambucanos "investirem na base", salvou "o mais amado do universo, o santinha", mas não se esqueceu de reverenciar os alvirrubros e rubro negros (mesmo que em noite de derrota com o Palmeiras).

Como é de praxe em gravações de DVD, algumas músicas tiveram que ser regravadas por pequenos erros. O maestro pedia com bom humor para a plateia para que as repetições fossem feitas e agradeceu a paciência. Bom humor, inclusive, não foi o que faltou nesta noite. Além de concerto, a apresentação tornou-se por momentos um show de stand up comedy de Forró, com direito a muitas interações com a plateia. A festateve fim aproximadamente às 22h, em cilma de grande Carnaval.

Luiz Gonzaga é Cem: "Caí no Frevo"

Hoje é o Dia do Frevo, então nada mais apropriado do que falar na discografia de Luiz Gonzaga que trata deste tema neste ano do centenário do seu nascimento.

Uma das músicas mais importantes da sua carreira, dele sem parceiro, ressalte-se bem isso, é “Caí no Frevo”, que é uma mistura de marcha-frevo, marcha-canção e samba. Somente um gênio criativo como ele seria capaz de fazer tão bem esta síntese.

Corria o ano de 1946 e o Marechal Eurico Gaspar Dutra havia substituído Getúlio Vargas na presidência da República. A economia passava por momentos difíceis. Já no final do ano, o presidente baixou um ato conclamando os brasileiros a economizar. Luiz Gonzaga, que gozava da simpatia do marechal, embora tenha sido depois censurado por ele numa das suas músicas, resolveu fazer “Caí no Frevo” justamente para apoiar a solicitação presidencial.

A página sonora foi lançada em dezembro de 1946, porém tinha o objetivo de animar o carnaval de 1947.

É uma música na qual ele fez tudo: melodia, letra e arranjos. O que eu sempre desejei saber foi o nome dos músicos que Luiz Gonzaga reuniu para gravar a sua composição. Vejo que tudo foi muito bem ensaiado porque com a técnica que se tinha em 1946, não era nada fácil encaixar numa música três ritmos distintos e o resultado sair com boa qualidade. Os participantes tinham que ser muito bons. E eram!

A música "Caí no Frevo" prova que ele não vivia somente de baião, que era um homem sintonizado com todos os ritmos da música brasileira. OUÇA A MÚSICA.

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Sobre a obra

A música "Caí no Frevo", de Luiz Gonzaga, composta e arranjada por ele em 1946, é uma síntese perfeita da marcha-frevo, marcha-canção e samba.


'Tenho frevo no DNA', diz porta-estandarte do Galo da Madrugada

Fernando Zacarias faz 'balé' nas ruas, embalado por ritmo centenário. Agremiação desfila desde o começo da manhã, no Dia do Frevo, no Recife
Fernando Zacarias gostava de brincar carnaval com parentes e amigos em frente à casa de número 91 onde morava, na Rua Maria Digna, bairro do Fundão, no Recife. Aos nove anos, fez um estandarte, tipo de bandeira usado por agremiações carnavalescas, com papel de seda e um cabo de vassoura. "Eu sempre tinha ideia de ser porta-estandarte e, há 35 anos, sou o do maior bloco do mundo, que desfila no dia do aniversário do frevo, que é tudo para Pernambuco e, agora também, é do mundo todo", disse.

De fato, o frevo é a cara cultural do estado, ao lado do maracatu. Em 2012, o ritmo que também é dança foi declarado patrimônio imaterial da humanidade. Em 2007, no centenário do frevo, a Prefeitura do Recife instituiu o 9 de fevereiro como o Dia do Frevo. A grande abertura do carnaval pernambucano acontece mesmo no desfile do Galo da Madrugada, que este ano cai neste sábado, 9 de fevereiro. Tantas coincidências levaram o G1 a encontrar em Zacarias o personagem ideal para celebrar a data.

A criança que sonhava ser porta-estandarte precisou de poucas palavras e muito carisma para concretizar o desejo. "Em 1973, conversei com um amigo, que desfilava no Abanadores do Arruda. Ele me levou para conversar com o presidente da troça e, no mesmo ano, saí como porta-estandarte e a agremiação foi campeã da categoria, pela manhã. À noite, também desfilei pelas Pás [de Carvão], que foi campeã entre os clubes", contou.

Frevo no pé
Pé quente esse Zacarias: é que ele tem mesmo o frevo no pé. Em 1974, levou o título de melhor porta-estandarte na primeira competição organizada pela Prefeitura do Recife. Em 1975, foi segundo lugar, mas depois voltou ao topo do pódio por três vezes seguidas. "Agora não me deixam mais participar, mas está certo, é preciso dar vez aos outros. Já fui chamado para dar aulas em agremiações da cidade e ainda recebo alguns convites", falou.

Zacarias com o neto Vinícius, na prévia do Galo da

Em 1978, Enéas Freire fundou o Clube de Máscaras Galo da Madrugada e estava procurando o porta-estandarte ideal, quando ouviu falar de Zacarias. "Ele viu uma apresentação minha, me chamou e disse: 'você vai carregar o estandarte do Galo'. Naquele primeiro ano, a gente desfilou às 4h, tinha uma faixa de 150 pessoas, quatro orquestras de frevo. A sede ainda era na [Rua] Padre Floriano, no [bairro de] São José. A gente passava pela [Rua da] Concórdia, Rua Nova e terminava na Pracinha do Diario. Hoje, a preparação é muito maior, tem muito mais gente. Para eu sair da sede até a Avenida Sul é um sufoco, paro de metro em metro para o povo tirar foto", comentou.

Posto 'vitalício'

São 35 anos ininterruptos levando o maior símbolo da agremiação. Para Zacarias, o seu maior diferencial é o zelo pelo figurino, que tem roupa, sapato, meião, peruca, tudo à la Luís 15, rei da França no século 18. "Uso tudo novo e limpo. É minha filha quem desenha a roupa e costura, eu faço o bordado. Gasto cerca de R$ 1 mil com tudo. Não posso dizer que sou o melhor [ porta-estandarte], espero que o público fale isso. Tenho minha maneira de desfilar e me destaco, o problema é esse", brincou.

Diferente dos passistas de frevo, os movimentos da coreografia de um porta-estandarte são poucos e não têm nome, mas acompanhar o ritmo é fundamental para uma boa apresentação. "A gente faz um balé na avenida. Frevo rasgado ou muito lento não são bons para nós, o melhor é aquele de bloco, mais cadenciado, com harmonia. Temos que escutar bem o que está tocando para fazer as paradas. Posso dizer que tenho frevo no DNA e ser porta-estandarte vem de berço", assegurou.

E Zacarias está passando tudo que sabe para o neto Vinícius, de 10 anos. "Nunca pensava nisso, quando ele mais novo pediu para eu fazer uma roupa [de porta estandarte] para ele. Hoje ele é o porta-estandarte mirim do Galo e oficial do Pinto da Madrugada", explicou. O menino acompanhou o avó na prévia do Galo da Madrugada, na última quinta-feira (7). "Eu gosto de ser porta-estandarte, e ele nem é muito pesado para mim", resumiu, dando um desconto para o adereço que pesa quase 40 quilos.

Primeiro e único porta-estandarte do mundialmente famoso Galo da Madrugada, Fernando Zacarias comemora o aniversário do ritmo que embala o carnaval pernambucano. "O frevo mexe com a gente. Se eu pudesse, escutaria o ano todo. No centenário [do frevo], fui escolhido como porta-estandarte da festa, recebi até medalha, foi uma honra, uma glória. Nunca faltei um dia só de desfile do Galo, felizmente, Deus me deu essa satisfação. Fui escolhido por seu Enéas e sonho de criança se fez realidade. No dia de hoje, depois dos clarins, arrasto mais de um milhão de pessoas".

FREVO na veia

Presença garantida nos grandes eventos musicais pernambucanos, Almir Rouche é um dos nomes de destaque do nosso cenário cultural e sinônimo de Carnaval. Aos 43 anos de idade e 27 de carreira, ele continua a comandar bailes e trios elétricos e quer sempre se renovar. Sua relação com a folia de Momo vem de muito tempo: afeiçoou-se ao Carnaval quando conheceu o criador do Galo da Madrugada, Enéas Freire, em 1987. “De lá para cá, a minha relação com o Galo continua estreita”, diz.

Ele lembra do cuidado que Enéas tinha com seu bloco. “Eu admiro o jeito como ele conduzia a agremiação. Com isso, fui aprendendo a importância do que muitos achavam ser radicalidade”, conta, em referência à exigência do carnavalesco de que o bloco sempre priorizasse o frevo. Rouche lembra que, este ano, o desfile do Galo da Madrugada será muito simbólico, já que coincide com o Dia do Frevo, 9 de fevereiro.

O cantor discorda dos que dizem que o frevo é um ritmo que não se atualiza. “O frevo se renova, sim! O problema é que as rádios não dão espaço aos novos talentos que surgem”, aponta. Ele lamenta a pouca divulgação - salvo exceções, pondera. “E o Galo só toca frevo. Por isso que ele mantém essa magia. Se houvesse um dia para comemorar o frevo, seria o dia do desfile do Galo”, opina. Seu desejo, em 2013, será atendido.

Como sempre traz colegas cantores para conhecer e participar do nosso Carnaval, este ano não poderia ser diferente. Depois de, em 2012, ter trazido a musa do tecnobrega Gaby Amarantos, Rouche será acompanhado, em 2013, pela também paraense - embora nascida na Guiana Francesa - Lia Sophia. Ela e o cantor Emílio Santiago se juntaram a Rouche no Baile do Siri na Lata, ocorrido neste fim de semana.

Almir Rouche também transitou pela política, quando comandou, entre 2004 e 2007, a Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes de Igarassu, sua terra-natal. Durante o período, conseguiu idealizar um quadrilhódromo e ginásio poliesportivo para a cidade, que passou a receber o Festival de Quadrilhas da Globo Nordeste, do qual é produtor. Outro desafio foi potencializar o turismo local. Fato desconhecido para muitos, Rouche conta que Igarassu possui a quinta pinacoteca mais importante da América Latina - a oitava do mundo.

Sobre a música pernambucana, o cantor pondera: “A nossa cena tem uma diversidade cultural grande, mas poderia ser mais valorizada. Nós temos potencial para explorar melhor nossos ritmos”, declara o músico, completando que sente falta de união no meio musical. “O mangue, o brega, o pagode não podem ficar ilhados. Deviam fazer como lá atrás, nos nossos ancestrais: misturar tudo”, opina.

Para Rouche, é obrigação do artista conhecer todos os estilos, sem preconceito. O cantor segue o lema do “é proibido proibir”. “As pessoas acham que criam algo novo - o que não é verdade - e se ilham. Se eu estiver em uma ilha, ela tem que ter pontes. Se não tiver, que tenha um aeroporto, pois eu quero voar”.