quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Paço do Frevo atinge a marca de 500 mil visitas

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Número foi celebrado com festa e prêmios para a estudante Carla Oliveira, que foi ao museu pela primeira vez na tarde de hoje e cruzou a linha de meio milhão de atendimentos. (Foto: Cortesia)

O frevo confirmou na tarde de hoje sua vocação para reunir multidões. Por volta das 14h30, o Paço do Frevo, equipamento de salvaguarda do gênero musical que conta os primeiros capítulos da história do país, atingiu a marca de 500 mil visitas registradas, desde a inauguração do equipamento, em fevereiro de 2014.
Ao entrar no museu, a estudante Carla Oliveira, 26 anos, entrou também para a história, cruzando a impressionante marca de meio milhão de visitantes atendidos pelo equipamento. Carla foi recebida com festa e vários presentes. Ganhou passe livre para voltar quantas vezes quiser ao museu por um ano, ecobag e kit do Paço do Frevo com voucher para o Malakoff Café e a Me Poupe Loja Colaborativa.
A comemoração vai continuar em outubro, quando a rua em que Carla mora receberá uma edição especial do Arrastão do Frevo. “Nunca tinha visitado o Paço antes. Ouvia falar, mas nunca imaginei que pudesse ser tão maravilhoso. Foi minha primeira vez e já foi tão importante.”
“Que venham outros 500 mil e muitos visitantes mais! A história do frevo merece ser contada, preservada e renovada, com toda a força e alegria que o Paço do Frevo dedica à cultura de Pernambuco e do Brasil inteiro”, disse o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Diego Rocha, que recebeu e cumprimentou Carla, junto com o gerente do Paço, Eduardo Sarmento.
Centro de referência de ações, projetos e atividades de documentação, transmissão e valorização do frevo, Patrimônio Imaterial da Humanidade reconhecido pela Unesco, o Paço do Frevo é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, com realização da Fundação Roberto Marinho e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).
Desde o dia 9 de fevereiro de 2014, quando foi inaugurado, o museu já realizou mais de 84 mil visitas guiadas, recebeu 451 atrações culturais, 104 eventos dentro da programação da Quinta no Paço e do Sábado no Paço, 42 Arrastões do Frevo, 14 rodas de frevo, 7 conexões do frevo e mais 148 outras atividades.
Entre tantas ações sistemáticas, destaca-se a Hora do Frevo, atividade gratuita realizada às sextas-feiras, sempre na hora do almoço, que incentiva novas leituras instrumentais, clássicas, contemporâneas e autorais do frevo, que já teve 141 edições realizadas e foi contemplada com o prêmio Funarte de programação continuada para a Música Popular. Em 2017, o Paço do Frevo foi reconhecido também como Centro de Referência em Representação, Ações, Projetos, Manifestação e Salvaguarda pelo Iphan. E tudo isso é só o começo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Abertas convocatórias de artistas para o Ciclo Natalino 2018 e para o Carnaval 2019

Grupos e agremiações interessados em compor a grade dos dois ciclos têm até o próximo dia 10 de outubro para habilitação documental e artística de propostas.
Para que o Natal de 2018 e o Carnaval de 2019 sejam celebrados como manda o figurino nordestino, com direito a pastoril e reisado, maracatu, afoxé, frevo, samba e tudo mais que cabe dentro do rico glossário de tradições e vocações culturais nordestinas, a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura, da Fundação de Cultura Cidade do Recife e da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, abriu duas convocatórias artísticas, uma para cada ciclo.
Os artistas interessados em compor a programação do próximo Natal ou Carnaval devem se inscrever até o próximo dia 10 de outubro, com etapas online e presencial (ou pelos Correios). Primeiro é preciso acessar o site www.culturarecife.com.br para consultar a relação e os modelos dos documentos exigidos para a inscrição. Na mesma página, deverão ser agendados data e horário para a entrega presencial de material, na Prefeitura do Recife. A documentação também poderá ser postada pelos Correios (via Sedex ou correspondência registrada, com Aviso de Recebimento), até o último dia da inscrição (10 de outubro).
Para o atendimento presencial, foi montado um posto no térreo da Prefeitura do Recife, na Avenida Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife, que funcionará nos dias úteis, até o dia 10 de outubro, das 9h às 12h e das 13h às 17h. O Núcleo de Cultura Cidadã, localizado no Pátio de São Pedro, na casa de número 39, também estará disponível para orientar/realizar a inscrição e emissão de documentos dos grupos e agremiações.
A relação dos projetos habilitados dos pontos de vista documental e artístico será divulgada no Diário Oficial do dia 30 de outubro e também no site www.culturarecife.com.br.
Além da habilitação, a inclusão dos artistas nas duas grades de programação dependerá do cronograma preparado pela Prefeitura do Recife para o ciclo. A programação será criada por um grupo de trabalho composto por representantes da Secretaria de Cultura do Recife, da Fundação de Cultura Cidade do Recife, da Secretaria de Governo e Participação Social e da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, com a participação do Conselho Municipal de Política Cultural.
Para dúvidas e informações sobre a convocatória: centralfccr@gmail.com ou (81) 3355-9013.

Certificado de Habilitação de Firmas - Para otimizar, acelerar e desburocratizar a habilitação em cada um dos ciclos culturais da cidade,  artistas e seus representantes podem optar por fazer o registro cadastral no Sistema de Credenciamento de Fornecedores da Prefeitura do Recife – SICREF. O registro assegura aos artistas o Certificado de Habilitação de Firmas, que isenta, no ato da habilitação para editais convocatórios específicos, a apresentação de vários documentos, como Prova de Inscrição do CNPJ, Cópia autenticada do Registro Comercial, Ato Constitutivo, Contrato Social ou Estatuto Social e Cópia autenticada do comprovante de conta corrente. Mais informações estão disponíveis no link: http://www.recife.pe.gov.br/portaldgco/app/ConsInformacaoFornecedores.php.

Secretaria de Cultura promove reuniões com carnavalescos

Entre os próximos dias 17 de setembro e 3 de outubro, representantes dos brinquedos estão convocados para reuniões sobre o concurso de agremiações e seus critérios.

Ainda faltam seis meses para a festa mais aguardada, colorida e animada do calendário recifense, mas momo já anuncia seus sinais. Entre os próximos dias 17 de setembro e 3 de outubro, a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura, convoca os carnavalescos para uma série de reuniões, com o objetivo de discutir o Concursos de Agremiações de 2019 e seus critérios.
 
Os encontros serão no 15º andar do prédio-sede da Prefeitura do Recife, na Avenida Cais do Apolo, nº 925, Bairro do Recife, das 14h às 17h. Carnavalescos e brincantes serão recebidos, tradição a tradição, de acordo com o seguinte calendário:
 
17/09 - Troças Carnavalescas Mistas
18/09 - Clubes Carnavalescos Mistos
19/09 - Clubes de Boneco
20/09 - Blocos de Pau e Cordas
21/09 - Maracatus de Baque Virado
24/09 - Bois de Carnaval
25/09 - Ursos (La Ursa)
26/09 - Caboclinhos
27/09 - Tribos de Índios
01/10 - Maracatus de Baque Solto
02/10 - Escolas de Samba
03/10 - Agremiações que não participaram do concurso em 2018
 
Tradição iniciada nos idos de 1930, que já percorreu vários bairros da cidade, o Concurso de Agremiações reuniu, no Carnaval deste ano, 223 grupos de onze modalidades: escola de samba, blocos de pau e corda, tribos de índios, troças carnavalescas, maracatus de baque solto, maracatus de baque virado, clubes de frevo, clubes de boneco, caboclinhos, bois e ursos.
 
Ao todo, foram distribuídos R$ 685 mil em prêmios para as 85 agremiações vencedoras.
 
A competição tem como objetivo valorizar e incentivar as expressões artísticas e tradições momescas mais antigas da cidade.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Galo da Madrugada faz homenagem à mulher no desfile 2019

Sete meses antes do período carnavalesco, o Clube de Mascaras “O Galo da Madrugada” já escolheu o tema-enredo do seu desfile em 2019.
A agremiação desfilará em homenagem à mulher, que sempre contribuiu para o sucesso dos seus 40 anos de existência.  “Frevo Mulher” é uma conhecida musica de autoria de Zé Ramalho, que certamente será bastante executada durante o magnífico desfile do Galo no próximo ano. As mais conhecidas mulheres cantoras pernambucanas vão ser convocadas também para abrilhantar o maior bloco de rua do mundo.

Mulheres que fizeram história ao longo dos 40 anos do Galo da Madrugada:
Família – Ana Nery Freire de Meneses
Albertina Alves Freire
Badia
Carla Asfora de Menezes
Danielle Menezes
Elizabeth Guerra de Menezes
Maria do Carmo Travassos Freire (Dona Carminha)

Produção – Cristina Ana Lopes   
Gilberta Queiroz
Jeanny
Juju
Kalinka Serafim
Léa Lucas
Leda Alves
Lelê
Luciana Azevedo
Luciana Felix
Maria de Lourdes da Silva
Mônica
Regina Alves
Tatyana Verissimo
Tereza Accioly
Yane Claudino
Artistas
 Adriana B
Carla Rio
Cristina Amaral
Cinthia Barros (Banda Luará)
Deyse Trajano (Asas da América)
Edilza Ayres
Elba Ramalho 
Fabiana Pimentinha do Nordeste
Fafá de Belém
Gaby Amarantos
Gerlane Lops
Genilda Alexandre da Silva (Maracatu Leão Formoso)
Irah Caldeira
Joelma
Karina Spinelli
Késia (Maestrina Bloco das Ilusões)
Lia de Itamaracá
Lia Sofia 
Lucy Alves
Luiza Possi
Maria Gadu
Márcia Barros
Michelle Melo
Nádia Maia
Nena Queiroga
Orquestra 100% Mulher
Priscila Senna
Roberta Sá
Conceição (Orquestra Som Brasil)
Tânia de Lima Costa (Presidente da Tribo Indígena Tapirapé)
Vanessa da Mata
Vanessa Oliveira (Spok)
Walquiria Mendes
Galo da Madrugada - O primeiro desfile do Clube de Máscaras O Galo da Madrugada, em 1978, contou com a participação de 75 foliões fantasiados de “almas”. A brincadeira era feita com muito confete e serpentina ao som de uma orquestra composta por 22 músicos. O detalhe é que as pessoas usavam fantasias com máscaras (capuz), vestidas de “almas”. Daí o nome de “Clube das Máscaras”. Essas fantasias desfilam até hoje. Não demorou muito para o Galo despertar a atenção de foliões. No ano seguinte, a quantidade de participantes já era cinco vezes maior. Também em 1979, o bloco ganhou o estandarte e o hino oficial, criados, respectivamente, pelo fundador Mauro Freire e pelo compositor José Mário Chaves. A cada ano que passava mais pessoas se juntavam a essa ideia de vivenciar um carnaval livre e democrático. As ruas estreitas e os becos do bairro de São José ficavam cada vez menores à medida que o resgate da tradição popular se consolidava. Passados 40 anos, o bloco continua emocionando e lembrando aos dois milhões de foliões e ao mundo inteiro que o carnaval começa no Galo da Madrugada. Nesse período, o Galo realizou, durante 15 anos (1980 / 1994), no Clube Português do Recife o BAILE DOS ESTANDARTES, que atraia milhares de pessoas. Também, realizou durante 10 anos (1981/1990) o desfile de Fantasias de Papel na Avenida Boa Viagem.

Carnaval do Recife: Tribos de Índios


Oriundas do Estado da Paraíba, as Tribos de Índios foram incorporadas ao Carnaval do Recife, sendo muitas vezes confundidas com os caboclinhos. Apresentam danças bastante complexas, acompanhando o ritmo marcado pela musicalidade indígena, com temáticas ligadas à luta, guerra, morte e ressurreição.
As primeiras Tribos de Índios que se apresentaram no Carnaval do Recife foram a Tupi-Guarani (fundada em 1951), a Tupi-Papo-Amarelo (1962) e a Paranaguazes (1953), as duas primeiras fundadas no Estado da Paraíba e a terceira criada em Pernambuco sob influência paraibana. A Tribo de Índio Tupi-Guarani era liderada por Perré, descendente de índio proveniente da Paraíba que influenciou o surgimento de diversos outros grupos no nosso estado, deixando como legado, inclusive, um tipo de dança executada pelos Caboclinhos e pelas Tribos de Índios com seu nome.
Assim como nos caboclinhos, a apresentação conta com a presença de personagens e de cordões de índios e índias. O porta-estandarte normalmente abre o desfile, seguido do cacique e da cacica (alguns grupos também trazem rei e rainha), puxante, espião e feiticeiro, finalizando com os cordões. Os cordões apresentam-se em duas fileiras: as índias de um lado portando machadinhas, e os índios de outro com lanças na mão direita e escudos na mão esquerda. Além destes, as agremiações trazem o conjunto de músicos e algumas delas apresentam alas de crianças.
Os participantes normalmente pintam o corpo de vermelho e usam camisas de cetim ou veludo com desenhos de escudos e machados no centro. A indumentária, incluindo os leques e cocares, é confeccionada com penas de peru, de pato, além de boá. O figurino, os adornos e o estandarte são ricamente decorados com franjas, lantejoulas e pedrarias.
O baque geralmente é composto de dois bombos (ou surdos), maraca (ou ganzá) e gaita. Executam músicas singulares, que influenciam diretamente na coreografia/evolução, momentos em que alguns grupos apresentam o perré, a macumba, a matança (parte encenada em que os índios lutam para se estabelecer como pajé), e outras evoluções. As loas muitas vezes falam das guerras, de lideranças que já se foram, do próprio grupo e da religião.
Assim como ocorre nos caboclinhos, grande parte dos mestres das Tribos de Índios são seguidores da Jurema ou do Candomblé, dando um toque de religiosidade à manifestação.

TUPI GUARANI
O Clube de Índios Tupi Guarany foi fundado no bairro de Caixa d´Água (Olinda) em 15 de setembro de 1945, dando início à história das Tribos de Índio de Pernambuco, já que, até então se tratava de uma manifestação cultural da Paraíba. Por iniciativa do paraibano Severino José da Silva, conhecido por Perré, a Tribo foi fundada com seus amigos Valdemar, José e Sebastião.
Apesar de não se saber o real motivo de Perré ter voltado para a Paraíba, muitos líderes de outras Tribos de Índios que brincaram na Tupi Guarany falam do legado que Perré deixou relacionado ao formato, à musicalidade, à indumentária e, principalmente, às coreografias dessas agremiações que, até hoje executam uma evolução específica com o nome de Perré.
As atividades da Tupi Guarany foram assumidas por José Caetano de Oliveira, gaiteiro da Agremiação, que deu continuidade à brincadeira até abril de 2001, quando faleceu. Sua esposa, Dona Maria de Lourdes, que já estava na presidência do grupo desde 1985, mantém a agremiação até os dias de hoje.
Tem como cores oficiais o vermelho e o amarelo e como símbolos a figura de um Índio, setas e machados, presentes no estandarte e nas fantasias. Participa do concurso de Agremiações Carnavalescas da Prefeitura do Recife, onde já conquistou diversos títulos.
Endereço: Rua Córrego dos Carneiros, 2ª travessa, n° 35, Caixa D´Água, Olinda, PE
Contato: (81) 3443.7018 / 98627.7952

TRIBO DE ÍNDIO TUPINAMBÁ
A Tribo de Índio Tupinambá foi fundada como Caboclinho em 10 de fevereiro de 1980, por Sebastião José de Silva, no bairro de Areias. Após a morte de seu fundador/presidente em 2000, a Tribo suspende suas atividades e passa dois anos sem desfilar. Em 2002, Cidiclei Simões, devido à experiência de ter desfilado na Tribo Tupi Guarany durante 19 anos, entra em contato com a família de Seu Sebastião e pede autorização para dar continuidade ao Tupinambá. A partir de então, a agremiação passa a desfilar como Tribo de Índio e fazer parte da comunidade da Linha do Tiro.
Tem como cor oficial o vermelho e como símbolos o machado, a lança e o escudo, elementos presentes no estandarte e nas fantasias. O figurino é idealizado pelo próprio Cidiclei que, junto com sua mãe, irmã e esposa, confecciona as fantasias, os adereços e os cocares. A sede funciona em sua própria casa e se estende por toda a rua, onde ocorrem ensaios e festas. Presidente: Cidiclei Simões de Melo.
Endereço: Rua Large Grande, nº 96, Beberibe, Recife
Contato: (81) 98846.0418 / 98329.2850 / 98846-0418

TRIBO DE ÍNDIOS TUPINIQUINS
A Tribo de Índios Tupiniquins foi fundada em 15 de janeiro de 1922, no bairro de Afogados, por José Manoel dos Santos, Inaldo Galdino da Silva, José Manoel da Silva e Maria José Correia da Silva.
A partir da década de 1980, a agremiação passa a desfilar no Concurso de Agremiações Carnavalescas, obtendo diversos títulos de campeã e vice-campeã.
Seu símbolo é o próprio índio Tupiniquim e suas cores oficiais são o vermelho e o amarelo, influências da ligação da agremiação com os cultos indígenas da Pajelança e do Catimbó, que dão um toque místico à Tribo. O presidente é João Batista Galdino da Silva.
Endereço: Rua do Maruim, nº 163, São José, Recife.
Contato: (81) 98734.3520 / João – 99834.8278

Maestro Duda e Getúlio Cavalcanti ganham livros dentro da Coleção Frevo, Memória Viva

Dois nomes referenciais da música pernambucana, maestro Duda e Getúlio Cavalcanti, têm suas histórias de vida e obra artística  destacadas em livros que serão lançados pela  Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Os títulos integram a Coleção Frevo, Memória Viva - selo criado  para evidenciar o legado daqueles que contribuíram (e vem contribuindo) com a mais pernambucana das expressões culturais. A tarde de autógrafos contará, ainda, com apresentação musical dos biografados.
Os livros foram escritos pelo jornalista, crítico musical e pesquisador Carlos Eduardo Amaral, que também assina o título inaugural da coleção (Maestro Formiga: Frevo na tempestade, R$ 21, 00). “Os livros  desta coleção não são uma biografia ou um inventário, mas, sobretudo, livros-reportagens que abordam seus personagens centrais junto com problemáticas e aspectos que envolvem o frevo em sua essência musical, cultural e sociológica. São livros que possuem capítulos para leigos, para músicos,  para curiosos e para estudiosos”, destaca.
Maestro Duda, uma visão nordestina destaca, em 163 páginas, distribuídas em 13 capítulos,  aquele que é considerado um dos maiores arranjadores da música instrumental brasileira do século XX e que, aos 82 anos de idade, encontra-se em plena produção criativa. Regente, compositor, arranjador, instrumentista, Patrimônio Vivo de Pernambuco (2010), membro da Academia Pernambucana de Música, Duda nasceu no município de Goiana, em 23 de dezembro de 1934, tendo como nome de batismo José Ursicino da Silva. Sem formação acadêmica, iniciou sua história musical na infância, na Saboeira (Sociedade Musical 12 de outubro), tendo como atribuição inicial carregar as partituras da banda. Aos 12 anos, compôs o primeiro frevo (Furacão), revelando precocemente o talento que o colocaria, ao longo das décadas, como um dos mais influentes músicos pernambucanos.
Para Carlos Eduardo Amaral, os livros da coleção cumprem papel de bússola, ajudando a orientar pesquisadores em estudos mais aprofundados sobre o universo do frevo e seus atores. No caso de Duda, a obra é esteio importante. Aborda a formação musical do maestro, a relação com outros ícones - Capiba Guerra Peixe, Clóvis Pereira, entre muitos -, a passagem pela Rádio e TV  Jornal, a formação de bandas, o ingresso na Orquestra Sinfônica do Recife e o trabalho como regente na TV Bandeirantes (SP).  Fala sobre envolvimento de sua família (três gerações) com a música, seus causos, a produção para cinema e até dados pouco conhecidos - como o teste para cantor e a atuação como professor de música da cantora Vanusa.
Getúlio Cavalcanti - Maestro Duda exerceu papel importante na carreira de inúmeros músicos, entre eles, o compositor e cantor Getúlio Cavalcanti, terceiro retratado pela Coleção Frevo, Memória Viva. Autor de mais de uma centena (músicas catalogadas) de frevos de bloco, frevo-canção, entre outros gêneros, como o samba, maracatu, bolero, Getúlio contou com o apoio de Duda para que seu frevo O Bom Sebastião fosse gravado. A música, inscrita Concurso de Música Carnavalesca da Prefeitura (1976) foi aclamada pelo júri e definitivamente abriu as portas para a fama.
Com 160 páginas, 14 capítulos, incluindo tabela de canções, discografia e iconografia, Getúlio Cavalcanti, o último regresso percorre e revela fatos importantes dos 57 anos de carreira do autor do frevo Último regresso (1981)  “o mais cantado, gravado e conhecido de um compositor vivo, rivalizando, no cânone do gênero, com Madeira que cupim nao roi, Evocação, o Hino do Batutas de São José e Valores do passado, ou seja, com Capiba, Nelson Ferreira, João Santiago e Edgard Moraes”, destaca o autor.
Getúlio de Souza Cavalcanti nasceu no dia 10 de fevereiro de 1942, em Camutanga. Iniciou a carreira em 1962, integrando o cast de cantores da Rádio Clube e da TV Tupi, gravando naquele ano seu primeiro frevo-canção (Você gostou de mim). Para manter a família, dividiu a paixão pela música com outras atividades (trabalhou no Diario de Pernambuco, foi representante comercial da Arno, IBM), fato que o obrigou a morar em outros estados, como Pará, Sergipe e São Paulo. “No caso de Getúlio, seus frevos-canção, frevos de bloco (e até eventualmente, marchas e sambas), além de regalos, configuram um vasto inventário  que pode ser organizado parte como um mapa, parte como uma linha do tempo e parte como um memorial  que transcende o aspecto afetivo do seu criador e se transmuta  em uma mini enciclopédia do carnaval pernambucano”, atesta Carlos Eduardo Amaral.

Definidos os vencedores do Festival Nacional do Frevo


Numa grande celebração ao mais pernambucano dos gêneros musicais, foi definido, no final da noite desta sexta-feira 13, no Teatro de Santa Isabel, o pódio do Festival Nacional do Frevo. O concurso musical, realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, com o apoio da Fundarpe e da Globo, teve como objetivo assegurar renovação e fôlego ao frevo, num processo que esticou a vigência do gênero musical no calendário cultural da cidade.
Prestigiada por diversos artistas e por um numeroso público, a final consagrou como primeiros colocados do Festival os frevos: No Primeiro Dia do Nosso Amor, de Lourenço Gato e Flávio Souza (com arranjo de Fábio Valois), na categoria Frevo de Bloco; Alvoroçado, de Bené Sena, na categoria Frevo de Rua; Claudionor, o Menino do Frevo, de Bráulio de Castro e João Araújo (com arranjo de Fábio Valois e interpretação de Ed Carlos), na categoria Frevo Canção; e Primeiro de Maio, de Romero Bomfim (com arranjo de Parrô Melo), na categoria Frevo Livre Instrumental – Autoral.
O prêmio de Melhor Arranjador foi entregue a Marcos FM, pelo frevo Sapecando, e o de Melhor Intérprete foi recebido pelo cantor Ed Carlos. “Foi uma honra para mim, com mais de 30 anos de carreira, puder homenagear Claudionor Germano, mestre de todos os cantores de frevo”, disse Ed Carlos, quando subiu ao palco.
Confira a relação de todos os vencedores:

Melhor arranjador: Marcos FM, por Sapecando

Melhor intérprete: Ed Carlos

Categoria Frevo de Bloco
1º lugar: No Primeiro Dia do Nosso Amor, de Lourenço Gato e Flávio Souza (arranjo de Fábio Valois)
2º lugar: Matando Saudade, de Luiz Gonzaga de Castro (arranjo de Bozó 7 Cordas)
3º lugar: Tempo de Saudade, de Luiz Guimarães (com arranjo de Marcos FM)

Categoria Frevo de Rua
1º lugar: Alvoroçado, de Bené Sena
2º lugar: Sapecando, de Marcos FM
3º lugar: Adriana no Frevo e Cia., de Parrô Mello

Categoria Frevo Canção
1º lugar: Claudionor, o Menino do Frevo, de Bráulio de Castro e João Araújo (arranjo de Fábio Valois)
2º lugar: Frevo Bregado, de Carlos de Melo Brasil (arranjo de Marcos FM)
3º lugar: Sabor de Rum Hortelã Café, de Edinho Queirós (arranjo de Fábio Valois e Edinho Queirós)

Categoria Frevo Livre Instrumental - Autoral
1º lugar: Primeiro de Maio, de Romero Bomfim (arranjo de Parrô Melo)
2º lugar: Tubarão no Circo, de Zé Freire
3º lugar: Frevo da Amizade, de Ronaldo Batata

Orquestra - Os candidatos se apresentaram acompanhados pelo coral feminino e pela orquestra regida pelo consagrado maestro Edson Rodrigues, com exceção dos finalistas da categoria Frevo Livre Instrumental – Autoral, que não tinham formação fixa.
Entre as exibições de uma categoria e outra, a orquestra lembrou vários frevos clássicos. Houve ainda uma apresentação do Balé Popular do Recife, para celebrar o frevo dança, derivado dos golpes da capoeira, mistura de luta e alegria.
Ao final das apresentações, enquanto os votos eram apurados, a secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, fez questão de parabenizar cada um dos candidatos e celebrou a disposição e a importância dos 274 inscritos no Festival para assegurar ainda mais fôlego ao frevo. “Esse patrimônio tão rico, grande e forte que é o frevo hoje nos toma por inteiro. Mas o Festival não acaba hoje. Não vai acabar nunca, porque abriu novos caminhos para jovens e velhos compositores”, disse.
Os vencedores foram escolhidos por um júri composto pela violinista da Orquestra Sinfônica do Recife e rabequeira Aglaia Costa; por Marco César, maestro do Coral Edgard Moraes; pelo compositor e fundador da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Maestro Forró;  e pelo clarinetista da Banda Sinfônica do Recife Erilson Oliveira. A comissão julgadora foi presidida pelo maestro da Banda Sinfônica do Recife, Nenéu Liberalquino. Além da avaliação dos jurados, foi computado o voto popular para a composição da nota final. Juntos, os 12 candidatos receberam 6.280 votos pelo site do Festival e pelo aplicativo.
O público gostou da festa. Para a educadora física, 40 anos, Maria José Hansen, o Festival Nacional do Frevo foi maravilhoso. "Sou do Recife, mas moro na Noruega há 16 anos. Vim com o meu marido e os meus dois filhos, que são noruegueses. Foi emocionante! O frevo é único, um ritmo frenético. Esse tipo de música não há em nenhum outro lugar” disse Mara José, matando a saudade de casa.
A mãe dela, a doméstica Rosilda dos Santos, 77 anos, também ficou encantada. "O evento não poderia ter sido melhor. O frevo é inexplicável, bate na cabeça, toma o corpo e só acaba no pé", brincou a aposentada, que venceu a dificuldade de locomoção para ver a final de perto
Premiação - Para fomentar a cadeia produtiva do frevo, o Festival Nacional do Frevo irá assegurar material de trabalho e palco para os vencedores. Os primeiros colocados nas quatro categorias participarão da grade de programação do Festival de Inverno de Garanhuns deste ano e do Carnaval do Recife 2019, além de ganharem ainda uma gravação audiovisual (15 horas em estúdio) da música que defenderam. Os segundo e terceiro lugares também participarão da grade do próximo Carnaval do Recife, sendo que o segundo colocado ganhará ainda uma gravação master da sua música (10 horas de estúdio). O melhor arranjador e o melhor intérprete serão contemplados com a gravação de uma música.
Retrospectiva - Revelando uma heterogênea, mas fiel amostra da produção de frevo pernambucana atual, o Festival Nacional do Frevo atraiu desde renomados compositores, como o maestro Duda, até talentos ainda desconhecidos, a maioria jovens músicos, com muito a contribuir para a cultura pernambucana.
Ao todo, foram contabilizadas 274 inscrições. As categorias que tiveram mais inscritos foram Frevo Canção, com 121 músicas, e Frevo de Rua, com 66.
Os 12 vencedores foram escolhidos em três eliminatórias, realizadas nos dias 11 e 18 de maio e no dia 3 de julho, nas duas unidades do Compaz e no Paço do Frevo.

Saiba mais sobre os vencedores:

CATEGORIA FREVO DE BLOCO
1º lugar
No Primeiro Dia do Nosso Amor – Composição: Lourenço Gato e Flávio Souza (Arranjo de Fábio Valois) 
Cantor e compositor pernambucano, Lourenço Gato tem músicas gravadas por grandes artistas como Claudionor Germano, Alceu Valença, Banda de Pau e Corda, Quinteto Violado entre outros. Já participoude diversos concursos musicais e, entre os troféus que conquistou está o primeiro lugar do Abraça Brasil com a música Estrela de Salú.  Sua música mais conhecida pelo grande público é O tarado da Sé, que compôs em parceria com Luciano Padilha e João Sales. Já Flávio de Souza é compositor e cantor pernambucano, com vários prêmios em festivais de música, como o Abraça Brasil, em que se classificou em primeiro lugar no ano de 2014. Flávio também compõe trilhas sonoras para programas de televisão.

2º lugar
Matando Saudade – Composição: Luiz Gonzaga de Castro (Arranjo de Bozó 7 Cordas) 
Luiz Gonzaga de Castro é professor universitário, mas prefere se creditado como folião pernambucano. Foi membro do Centro da Música Carnavalesca de Pernambuco. Possui treze frevos gravados, de rua ede bloco. Já foi premiado no Concurso de Música Carnavalesca de Pernambuco. Ardoroso defensor do frevo, é um dos fundadores e diretores da Orquestra Paranampuká, que prestigia compositores pouco executados nas ruas do Recife e Olinda. Compôs Matando Saudade há muitos anos, quando residia em São Paulo

3º lugar
Tempo de Saudade – Composição:  Luiz Guimarães (Arranjo de Marcos FM)
Médico, compositor, escritor e poeta, Luiz Guimarães já participou de inúmeros festivais. Como produtor cultural, já divulgou mais de 80 CDs, muitos deles dedicados ao frevo pernambucano, com artistas como Capiba, Getulio Cavalcanti, Coral Edgard Moraes, Jota Michiles, entre outros. Ocupa a Cadeira nº 17 da Academia Pernambucana de Música, sucedendo Luiz Bandeira, cujo Patrono é Luiz Gonzaga. 
  
CATEGORIA FREVO DE RUA
1º lugar
Alvoroçado - Composição e Arranjo: Bené Sena 
Bené Sena é guitarrista, compositor, arranjador e professor. Trabalhou com diversos artistas, como Alcymar Monteiro, André Rio, Roberto Menescal, Spok, Morais Moreira, Elba Ramalho, Biafra, Cristina Amaral, entre outros. Como arranjador, fez seu primeiro trabalho no CD Bloco Troças e Foliões, de André Rio. Também trabalha como professor na Escola Técnica Estadual de Criatividade. Possui cerca de30 composições nos gêneros frevo, choro e baião. Já foi vencedor de outros concursos de música carnavalesca.

2º lugar
Sapecando - Composição e Arranjo: Marcos FM 
Marcos FM é professor do Conservatório Pernambucano de Música e do Centro de Educação Musical de Olinda, leciona contrabaixo elétrico, arranjo, entre outras disciplinas. Marcos é também o maestro da Banda Sinfônica do Conservatório. Formado em Licenciatura em Música pela UFPE, lidera a Orquestra Quebramar e já foi premiado como o melhor arranjador no concurso de música carnavalesca pernambucana em 2007. É autor do livro Arranjando o Frevo de Rua e está escrevendo, junto a Climério de Oliveira, o segundo livro: Batuque Book de Frevo, que conta a história do ritmo.

3º lugar
Adriana no Frevo e Cia. - Composição e Arranjo: Parrô Mello 
Saxofonista, clarinetista, arranjador, compositor e produtor, graduado em Música pela UFPE e Pós Graduado pela UNINTE, o maestro Parrô Mello já foi finalista de vários festivais de música de Pernambuco, defendendo canções como Coroação e Nação Elefante. Além disso, produz e toca com vários artistas, como DJ Dolores e Ylana Queiroga. O frevo que defenderá foi composto há oito anos, em homenagem a Adriana do Frevo e sua Companhia: Brasil por Dança.
  
CATEGORIA FREVO CANÇÃO 

1º lugar
Claudionor, o Menino do Frevo - Composição: Bráulio de Castro e João Araújo (Arranjo de Fábio Valois) 
Natural de Bom Jardim, Bráulio herdou do avô a paixão pelo frevo. Seu interesse por música nasceu junto com ele, mas só começou a virar profissão quando o compositor mudou-se para o Recife. Aosdezoito anos, Bráulio teve a sua primeira composição gravada. Não por acaso, um frevo. E não parou mais. Entre os grandes intérpretes de suas canções estão ClaudionorGermano, Nando Cordel, Elza Soares, Luiz Gonzaga, Noite Ilustrada, entre muitos outros. Também coleciona participações e troféus em concursos de música.

2ºLugar
Frevo Bregado - Composição: Carlos de Melo Brasil (Arranjo de Marcos FM)
 Vencedor de concursos de passista quando criança, Carlos de Melo Brasil tornou-se compositor por lazer. Em 2013, inscreveu-se no primeiro concurso de música de Carnaval, já tendo sido premiado com ofrevo de rua João do Loro. De lá para cá, participou de várias outras competições musicais, colecionando muitos prêmios. Participou do CD do Galo da Madrugada, em homenagem a Ariano Suassuna, em 2013 com o frevo Pernambucano de Coração, além de ter sua música Voz do Frevo Gravada por Nonô Germano.

3º lugar
Sabor de Rum Hortelã Café - Composição e Arranjo: Edinho Queirós (Arranjo de Fábio Valois) 
Cantor, compositor, violonista, arranjador e produtor, iniciou sua carreira em Macau. Canta desde os 12 anos e dedicou boa parte de sua carreira à defesa do frevo, gênero pelo qual nutre especial carinho desde quando ouvia, ainda criança de colo, seu pai cantarolar frevos de Nelson Ferreira e Capiba. De lá para cá, adquiriu uma vasta e eclética experiência musical, tanto no Brasil como na Itália, país em que morou por 10 anos, com vários discos lançados. 

CATEGORIA FREVO LIVRE INSTRUMENTAL – AUTORAL

1º lugar
Primeiro de Maio – Composição: Romero Bomfim (Arranjo de Parrô Mello) 
Músico, pedagogo e mestrando em Música, Educação e Sociedade pela UFPE, Romero nasceu e criou-se no Recife. O primeiro instrumento que aprendeu a tocar foi o clarinete, depois passou a estudar sax-tenor e, com ele, enveredou pela vida profissional. Saxofonista e arranjador, participou de CDs e DVDs de diversos artistas. Também atuou como educador em vários projetos sociais, defendendo a música como caminho. Hoje integra o Quinteto Arraial, o Bloco Lírico Cordas e Retalhos, além de ser professor e coordenador da BL Music.

2º lugar
Tubarão no Circo - Composição e Arranjo: Zé Freire 
Zé Freire começou a tocar violão aos 11 anos influenciado pelo pai. Aos 13, entrou na escola Municipal de Artes João Pernambuco, na Várzea, bairro onde foi criado e formou-se em Música pela UFPE, em 2011. Desde então vem compondo e tocando com diversos grupos e em festivais como o FEMUCIC 2015 (PR) e Festival de Cultura Mostra na Roda 2017, entre outros. Também atua como professor de violão, guitarra, prática de conjunto e harmonia.

3º lugar
Frevo da Amizade – Composição e Arranjo: Ronaldo Batata 
Nascido em São Paulo, Ronaldo Batata mora atualmente em Santa Luiza, no município de Belo Jardim. Compositor, arranjador e guitarrista, começou a tocar em bandas de baile, há 30 anos. Filho de músicos, deu os primeiros passos sozinho, tendo depois estudado música no Instituto Federal de Pernambuco. Já integrou o grupo Flor do Mandacaru, e o Asas da América. Tocou também com o célebre mestre Camarão. A música é seu sustento, vocação e alegria.