sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Afoxé Ylê de Egbá: 28 anos de tradição e resistência

Descendente direto da Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáosi, o Afoxé Ylê de Egbá começou a ensaiar seus primeiros passos em 1986, no Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife. De lá para cá, sob a batuta de Expedito de Paula Neves, mais conhecido como Dito D’Oxóssi, a agremiação ganhou força e, não à toa, se tornou um dos grupos de afoxé mais tradicionais de Pernambuco, não só por sua beleza rítmica, mas também pelo trabalho sócio-cultural que desenvolve no Ponto de Cultura Sakonfa, em Casa Amarela. ”Nós trabalhamos na comunidade e em bairros adjacentes. Lá, disponibilizamos cursos profissionalizantes de dança, culinária, design e muitos outros. Esse projeto é fruto de nossa resistência e militância nesses 28 anos de estrada”, lembra Dito.
O grupo acumula em seu currículo atividades de reconhecimento nacional e internacional
O grupo acumula em seu currículo atividades de reconhecimento nacional e internacional
Com passagens pelos Festivais Sfinks (Bélgica) e Boo Boo (Itália), Encontro Interamericano (Portugal) e Carnaval do Mundo (Londres), o  Ylê de Egbá é um celeiro cultural, amplamente reconhecido por sua ousadia e originalidade. Junto com a União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE), o grupo deu início ao projeto Quilombo Vivo, atividade que foi um marco tanto para a comunidade negra, como para os moradores do Alto José do Pinho, por reunir num único palco os Afoxés Oxum Pandá, Alafin Oyó, Omi Sabá, Ara Odé, Guian Ala Moxé Orum, Filhos de Ogundê e Povo de Ogundê. Além disso, foi o primeiro afoxé pernambucano a participar da tradicional Noite dos Tambores Silenciosos, encontro de maracatus-nação que acontece no Carnaval recifense, e o pioneiro no lançamento de um CD do gênero no mercado fonográfico.
O afoxé do Ylê mescla o toque do “Ijexá” (ritmo afro) a vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil, resultando em arranjos e músicas com interessantes variações rítmicas, que dão um “toque” singular à batida do grupo, através de xequerês, atabaques, ganzás e agogôs. Outros segmentos do Ylê de Egbá são: o Imalê, grupo formado por ogans alabês (percussionistas de terreiro); o Egbé de Xangô, Sociedade dos Filhos de Xangô (orixá que representa a entidade) e o Imalê Mirim, a ala infantil do afoxé.
Afoxé Yle Egbá mescla o toque do “Ijexá” (ritmo afro) a vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil com os negros
Afoxé Yle de Egbá mescla o toque do “Ijexá” (ritmo afro) com vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil
Segundo o idealizador Dito D’Oxóssi, “o Ylê Egbá nasceu com a proposta de tratar da resistência do nosso povo e da ancestralidade africana”. E um dos seus maiores objetivos “é falar da riqueza dos ancestrais e heróis negros, dos príncipes, reis e orixás para acabar de vez com esse paradigma que colocaram sobre o povo de matriz africana”, complementa o líder da agremiação.
Dito D'Oxossi é quem comanda o Ylê de Egbá
Dito D’Oxóssi é quem comanda o Ylê de Egbá
Por: Secult/ Fundarpe

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Alcymar Monteiro lança “A festa começou” - Disponível para Download

Trata-se da 12ª produção do cantor Alcymar Monteiro, direcionada exclusivamente para a Folia de Momo. O álbum é composto por 15 faixas e tem como repertório o frevo de rua, o frevo de bloco maracatu e a ciranda, gêneros que compõem a trilha sonora do carnaval.


 

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O Galo da Madrugada homenageia Carlos Fernando com tema ‘Asas da América, Asas para o Frevo’

Agremiação anunciou hoje, em coletiva de imprensa na sua sede, novidades do 38º desfile, que acontece no dia 14 de fevereiro de 2015, sábado de Zé Pereira
Por AP Comunicação Estratégica
O compositor Carlos Fernando é o escolhido para a homenagem do 38º desfile do maior bloco do mundo, O Galo da Madrugada. A agremiação faz o anúncio do tema “Asas da América, Asas para o Frevo” nesta quarta-feira (3), em coletiva de imprensa com presença da filha do homenageado, Joana Bizzotto, que veio do Rio de Janeiro, além da participação de amigos do compositor e autoridades políticas. O desfile será realizado no dia 14 de fevereiro do próximo ano, no tradicional sábado de Zé Pereira.

“O Galo da Madrugada tem sempre procurado inspirar seu desfile de Carnaval em personagens ou símbolos ligados à cultura nordestina, como Enéas, Luiz Gonzaga, Ariano Suassuna e o Rio São Francisco. Para 2015, a escolha recaiu sobre um dos mais brilhantes compositores de frevos. Carlos Fernando, CF ou ‘Charles’, como era chamado pelos amigos, foi, talvez, o mais aguerrido, inovador e ousado de todos os defensores de nosso frevo”, afirma o presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Meneses.
Carlos Fernando é natural de Caruaru e faleceu em 2013, aos 75 anos, em decorrência de um câncer de próstata e infecção pulmonar. O artista era o nome e a mente por trás do projeto Asas da América, responsável por popularizar e modernizar o frevo no Brasil inteiro. A coletânea de sete LPs, que se firmou a partir da década de 80, reuniu grandes nomes da cultura MPB cantando frevo. A série foi relançada em 2009, em edição comemorativa e remasterizada. No mesmo ano, ele também foi celebrado pelo Carnaval da Prefeitura do Recife.
Entre os intérpretes das composições do homenageado, ao longo de sua carreira, estão personalidades como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zé Ramalho, Gal Costa, Fagner, Jackson do Pandeiro, Lula Queiroga, Lenine e outros. As populares “Banho de Cheiro” e “Canta Coração”, reconhecidas na voz da cantora Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, por exemplo, são algumas das composições de Carlos Fernando.
Um dos ícones do Frevo, Carlos Fernando participou da produção do CD duplo “100 Anos de Frevo – É de Perder o Sapato”, em 2007, quando o ritmo foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Já em 2014, ele ganhou homenagem do Museu Memorial de Caruaru, onde foi criado um espaço em seu nome. As próximas novidades serão os lançamentos da segunda edição do livro “Banho de cheiro – Carlos Fernando em pequenas doses”, criado pelos amigos Ítalo Rocha, Bode Valença, Décio Valença e Ricardo Thibau, e também de um CD do projeto Asas da América, que contará com 10 dos maiores sucessos de Carlos Fernando e músicas inéditas.
“É uma honra para mim e para minha família fazer parte dessa homenagem e poder viver isso. Desde pequena, via na televisão o Bloco Galo da Madrugada arrastando uma multidão fervente pelas ruas do Recife, ficava maravilhada de ver tanta gente junta, tanta energia e alegria. Um ano após a morte de meu pai, recebo a notícia de que ele será o homenageado e meu coração se enche de alegria em saber que essa multidão unida cantará suas músicas. Enquanto vivo, ele não me levou ao Bloco, mas nesse dia o Bloco vai me levar até ele”, comenta Joana Bizzotto.
Assim como a filha do homenageado, Rômulo Meneses ressalta a felicidade na escolha de Carlos Fernando para tema do próximo Carnaval. “Esperamos que essa homenagem seja não apenas um reconhecimento pelo que ele realizou em sua vida, mas, sobretudo, uma grande provocação para que nossos compositores e músicos sejam mais ousados e, a exemplo do CF, não deixem o movimento Asas da América estagnar e continuem a criar novas formas, abrindo mais espaço para o frevo”.

Primeiro CD de frevo lírico infantil é lançado na sede do Galo

Disco reúne doze canções inéditas, interpretadas pelo coral mirim do bloco Sonho e Fantasia
Por Anderson Maia
Já se foram os tempos em que os blocos líricos eram associados, exclusivamente, aos foliões da terceira idade. Tamanho é o sucesso que a tradicional e saudosa manifestação cultural pernambucana tem conquistado, a cada ano, entre diferentes faixas etárias que já é possível ver, até mesmo, versões mirins das agremiações. O pioneiro da categoria, o bloco lírico infantil Sonho e Fantasia, viveu um momento especial no último sábado (30), na sede do Galo, quando comemorou sua primeira década de existência e a realização de mais um feito inédito: o lançamento de um CD. “Brincando de Bloco- Hoje, Amanhã e Sempre!” é o primeiro disco de frevo de bloco gravado por um coral infantil. Com doze faixas inéditas, assinadas por compositores como Getúlio Cavalcante, Nuca/Eriberto e Gustavo Travassos, o disco já está à venda no Palácio Enéas Freire, a R$ 15.
A orquestra de pau e corda, marca indispensável dos frevos de bloco, divide espaço, no disco, com elementos do universo infantil, passando pelas cantigas de roda e trilhas de famosos desenhos animados – relembrados, mesmo que discretamente -, nos arranjos assinados pelo mestre Bozó 7 Cordas. Um bom exemplo é a faixa “A Barca que Voa” (Nuca/Eriberto), cuja introdução remete à famosa melodia do clássico “Marinheiro Popeye”, capaz de fazer também o folião adulto querer voltar a ser criança. “Pensamos nesse diferencial nas músicas, justamente, para incentivar a criança a gostar do frevo de bloco e se engajar na nossa cultura”, explica a vice-presidente do bloco, Isa Menezes. As vozes, segundo ela, também foram outro diferencial do álbum, no qual se pretendeu manter a naturalidade: “É um Cd com a voz natural da criança, sem estar lapidada, como que se estivesse cantando na rua.”
Cd está à venda na sede do Galo, ao preço de R$ 15. Fotos: Anderson Maia
O álbum reúne composições de nomes como Nuca/Eriberto, Getúlio Cavalcante, Gustavo Travassos e Samuel Valente. “Os compositores que já produziam para os blocos adultos viram que estávamos tão engajados nessa ideia que resolveram, eles próprios, compor também letras exclusivas para o projeto”, acrescenta Isa.
10 Anos Brincando de Bloco
Composta, hoje, por cerca de 60 integrantes, a versão mirim do bloco lírico Sonho e Fantasia surgiu a partir do anseio da dupla de amigos Francisco Câmara e Isa Menezes por formar uma agremiação composta, exclusivamente, por crianças, algo até então inédito no carnaval recifense. “Após o carnaval de 2002, tivemos a ideia e começamos a amadurecê-la ao longo do ano seguinte. No carnaval de 2004, saímos às ruas pela primeira vez, com cerca de 20 crianças, em sua maioria filhos e netos de quem já curtia os blocos líricos”, lembra Francisco, atual presidente da agremiação.

Presidente e vice: só alegria com mais um pioneirismo na cultura pernambucana.
Pioneiros em dose dupla, os fundadores só pensam, agora, em aumentar ainda mais o grupo, garantindo tanto às crianças o contato, desde já, com a riqueza cultural pernambucana como ao próprio frevo de bloco a sua manutenção pelas gerações futuras. “Buscamos sempre fazer um carnaval de alegria, trazendo ainda mais crianças para o bloco. Minha vice treme quando falo que, no próximo carnaval, quero cem crianças desfilando. Essa é a sementeira dos blocos adultos”, garante o presidente.
A estudante de Direito Jéssica Karla, de 19 anos, é um exemplo dessa semente plantada. Primeira flabelista do bloco mirim, aos oito de idade, ela manteve a paixão pelo frevo de bloco e permanece, hoje, na mesma responsabilidade de vir à frente da agremiação carregando seu símbolo maior; só que, desta vez, na versão adulta do Sonho e Fantasia. “Para mim, é um grande orgulho e realização. Assim como eu fui um dia, essas crianças são o futuro do carnaval e têm a missão de não deixar morrer o lirismo, que é o frevo mais bonito e um componente sem igual da cultura pernambucana”, avalia. A mesma paixão é sentida por Nathalia Castilhos, 13, que, desde os seis, vem de Natal para participar dos desfiles: “meu incentivo maior foi minha tia, que já desfila há muitos anos no carnaval daqui. Amo estar aqui, propagando a cultura do frevo. Espero poder continuar por muitos anos”, almeja a foliã.
Jéssica e Nathália aprenderam desde cedo a amar o frevo de bloco, sentimento que mantêm até hoje.