segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O frevo constrangedor da “Dança dos Famosos”

por Robson Gomes
Especial para o Social1
Viviane levou o primeiro lugar na dança. Foto: Divulgação
Viviane levou o primeiro lugar na dança. Foto: Divulgação
Faltou Google. Talvez essa poderia ser a primeira justificativa “plausível” para explicar a pobreza de informações divulgadas ontem (22), durante a rodada da Dança dos Famosos – quadro do Domingão do Faustão – em que resolveram, pela primeira vez em dez edições, inserir o Frevo como um ritmo da competição.
Os deslizes foram desde a seleção musical – que mesmo com canções de artistas consagrados como Gal Costa, Moraes Moreira, Elba Ramalho entre outros – onde nenhuma das cinco faixas representava a dança pernambucana, até os jurados técnicos. Ana Botafogo e Ivaldo Bertazzo entendem (muito!) do assunto dança como um todo, mas era nítido que faltou um know-how aprofundado para julgar a rodada de Frevo com mais propriedade.
Os competidores também tiveram sua parcela de culpa, já que todos os professores esqueceram do principal fundamento da dança carnavalesca com sombrinha: o Frevo é uma dança predominantemente individual. Era possível que houvesse uma troca de olhar, ou uma coreografia mais sincronizada, mas pegadas e aéreos com mãos passavam longe do que representaria o ritmo. Afinal, ninguém dança daquele jeito.
Por fim, Arthur Aguiar, Igor Rickli e Viviane Araújo (a melhor da rodada na classificação final) foram, no geral, os menos ruins a tentarem dançar o ritmo. O constrangimento foi tanto que até Faustão sentiu que tinha muitas coisas erradas ali, fazendo com que ele improvisasse um pedido de desculpas aos telespectadores pela falta de representatividade do ritmo em questão, levando a produção a soltar, nas pressas, um trecho de Vassourinhas, música clássica do Frevo esquecida na competição.
Com erros na direção musical (de PH Castanheira) e do quadro como um todo (Henrique Matias), uma competição que, ao que parece, é planejada com meses de antecedência, revelou-se frágil ao mostrar um frevo tão longe da realidade. Quem perdeu foi o grande público, que poderia se encantar se ouvisse um Alceu Valença, um Capiba ou um Maestro Spok (e não ‘Pok’, Faustão!), provocando uma maior curiosidade de ir no Google logo após o programa. A coisa, realmente, não “freveu”.

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