terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sete corações é uma bela homenagem aos mestres do frevo

Filme de Dea Ferraz é também uma celebração ao Carnaval


“Uma coisa a que Zumba, Nelson Ferreira, Capiba, não tiveram direito”, comentário do maestro Edson Rodrigues, depois de assistir ao documentário Sete corações, uma das atrações de hoje do Janela Internacional de Cinema, às 11h, no Cine São Luis. O filme de Dea Ferraz reuniu sete veteranos maestros, também mestres do frevo, sob a batuta do maestro Inaldo Cavalcanti de Albuquerque, o atuante Spok, que vai explicando o quê, como e porquê de registrar as histórias e imagens de cada um deles. 

Clóvis Pereira, Guedes Peixoto, Nunes, Ademir Araújo, Duda, Jose Menezes, e o citado Edson Rodrigues, são os maestros. A linha mestra do documentário é a criação de um frevo-de-rua, a partir de um tema inicial desenvolvido por todos eles, até formar um novo frevo, batizado, pelo maestro Menezes de Sete corações: “É um filme que nasceu diferente. Spok segue no filme uma ideia dele, que foi transformada em roteiro assinado por mim, Gabriel Mascaro, Eric Laurence”, explica a diretora Déa Ferraz.

Um filme que deve lembrar a muitos premiado Buena Vista Social Club, de Wim Wenders (1999), É certo que Sete corações comunga de semelhanças superficiais o dc de Wnders, principalmente nas cenas em que aparece o maestro Nunes, com imagens das centenárias ruas dos Coelhos, onde funciona sua escola de música. Mas para por ai. O filme de Dea Ferraz não é nostálgico. Muito menos tirou da obscuridade músicos de um passado remoto, injustamente esquecidos. Uns mais, outros menos, os sete maestros ainda estão em evidência, senão eles, sua obra. O maestro José Menezes (falecido no ano passado, aos 90 anos), deixou composições, que são obrigatórias em qualquer repertório de frevo. Todos têm aposentadoria, vivem, uns mais, outros menos, confortavelmente. O filme de Dea Ferraz é u mensaio sobre o frevo.

Sete corações enquanto mostra a composição em progresso, com Spok cerzindo, num arranjo, os trechos criados pelos maestros, vai-se desfiando um debate sobre o o gênero musical frevo. Cada maestro expõe seu ponto de vista sobre o tema. Para Guedes Peixoto, por exemplo, o frevo é funcional. Ele o fazia para anmare os passistas nos salões dos clube sociais. O comentário é feito, enquanto se mostra na tela uma bailarina num palco, em passos estilizados e calculados, exatamente o contrário do que acontece na rua, onde o passista improvisa, ad lib, sua coreografia. Corta para Spok ouvindo Duda, um de seus mestres (é inclusive casado com uma neta dele), afirmar que o frevo de hoje não é mais festa, é show. Exatamente o que se propõe Inaldo Cavalcanti com a sua Spokfrevo Orquestra (ele está nos Estados Unidos na segunda turnê americana da SFO),

Paralelamente à construção da composição, Déa Ferraz mostra a construção do Carnaval. Dos camelôs nas estreitas ruas do Bairro de São José, que assistiu às primeiras orquestras e passistas no começo do século passado, à montagem da decorção, acertos de marchas de blocos líricos. Convergindo a narrativa para o apoteótico final, no terceiro dia de Carnaval, no Marco Zero, com os maestros no principal palco da folia recifense, enquanto o maestro Spok dirige a orquestra que executa, pela primeira vez em público a composição coletiva Sete corações.

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