quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Primeiro CD de frevo lírico infantil é lançado na sede do Galo

Disco reúne doze canções inéditas, interpretadas pelo coral mirim do bloco Sonho e Fantasia
Por Anderson Maia
Já se foram os tempos em que os blocos líricos eram associados, exclusivamente, aos foliões da terceira idade. Tamanho é o sucesso que a tradicional e saudosa manifestação cultural pernambucana tem conquistado, a cada ano, entre diferentes faixas etárias que já é possível ver, até mesmo, versões mirins das agremiações. O pioneiro da categoria, o bloco lírico infantil Sonho e Fantasia, viveu um momento especial no último sábado (30), na sede do Galo, quando comemorou sua primeira década de existência e a realização de mais um feito inédito: o lançamento de um CD. “Brincando de Bloco- Hoje, Amanhã e Sempre!” é o primeiro disco de frevo de bloco gravado por um coral infantil. Com doze faixas inéditas, assinadas por compositores como Getúlio Cavalcante, Nuca/Eriberto e Gustavo Travassos, o disco já está à venda no Palácio Enéas Freire, a R$ 15.
A orquestra de pau e corda, marca indispensável dos frevos de bloco, divide espaço, no disco, com elementos do universo infantil, passando pelas cantigas de roda e trilhas de famosos desenhos animados – relembrados, mesmo que discretamente -, nos arranjos assinados pelo mestre Bozó 7 Cordas. Um bom exemplo é a faixa “A Barca que Voa” (Nuca/Eriberto), cuja introdução remete à famosa melodia do clássico “Marinheiro Popeye”, capaz de fazer também o folião adulto querer voltar a ser criança. “Pensamos nesse diferencial nas músicas, justamente, para incentivar a criança a gostar do frevo de bloco e se engajar na nossa cultura”, explica a vice-presidente do bloco, Isa Menezes. As vozes, segundo ela, também foram outro diferencial do álbum, no qual se pretendeu manter a naturalidade: “É um Cd com a voz natural da criança, sem estar lapidada, como que se estivesse cantando na rua.”
Cd está à venda na sede do Galo, ao preço de R$ 15. Fotos: Anderson Maia
O álbum reúne composições de nomes como Nuca/Eriberto, Getúlio Cavalcante, Gustavo Travassos e Samuel Valente. “Os compositores que já produziam para os blocos adultos viram que estávamos tão engajados nessa ideia que resolveram, eles próprios, compor também letras exclusivas para o projeto”, acrescenta Isa.
10 Anos Brincando de Bloco
Composta, hoje, por cerca de 60 integrantes, a versão mirim do bloco lírico Sonho e Fantasia surgiu a partir do anseio da dupla de amigos Francisco Câmara e Isa Menezes por formar uma agremiação composta, exclusivamente, por crianças, algo até então inédito no carnaval recifense. “Após o carnaval de 2002, tivemos a ideia e começamos a amadurecê-la ao longo do ano seguinte. No carnaval de 2004, saímos às ruas pela primeira vez, com cerca de 20 crianças, em sua maioria filhos e netos de quem já curtia os blocos líricos”, lembra Francisco, atual presidente da agremiação.

Presidente e vice: só alegria com mais um pioneirismo na cultura pernambucana.
Pioneiros em dose dupla, os fundadores só pensam, agora, em aumentar ainda mais o grupo, garantindo tanto às crianças o contato, desde já, com a riqueza cultural pernambucana como ao próprio frevo de bloco a sua manutenção pelas gerações futuras. “Buscamos sempre fazer um carnaval de alegria, trazendo ainda mais crianças para o bloco. Minha vice treme quando falo que, no próximo carnaval, quero cem crianças desfilando. Essa é a sementeira dos blocos adultos”, garante o presidente.
A estudante de Direito Jéssica Karla, de 19 anos, é um exemplo dessa semente plantada. Primeira flabelista do bloco mirim, aos oito de idade, ela manteve a paixão pelo frevo de bloco e permanece, hoje, na mesma responsabilidade de vir à frente da agremiação carregando seu símbolo maior; só que, desta vez, na versão adulta do Sonho e Fantasia. “Para mim, é um grande orgulho e realização. Assim como eu fui um dia, essas crianças são o futuro do carnaval e têm a missão de não deixar morrer o lirismo, que é o frevo mais bonito e um componente sem igual da cultura pernambucana”, avalia. A mesma paixão é sentida por Nathalia Castilhos, 13, que, desde os seis, vem de Natal para participar dos desfiles: “meu incentivo maior foi minha tia, que já desfila há muitos anos no carnaval daqui. Amo estar aqui, propagando a cultura do frevo. Espero poder continuar por muitos anos”, almeja a foliã.
Jéssica e Nathália aprenderam desde cedo a amar o frevo de bloco, sentimento que mantêm até hoje.

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